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Adotei uma criança, mas acabei me arrependendo. É possível devolvê-la?

É normal nos depararmos com alguns casais que sonham em serem pais, mas em alguns casos não conseguem realizar esse sonho através da concepção, em razão disso, a adoção surge como um a opção.

Ocorre que, as pessoas idealizam a criança como um ser perfeito, mas se esquecem que assim como nós adultos elas tem suas imperfeições. Sem mencionar que exigem uma responsabilidade redobrada na vida de quem é pai ou mãe. Trata-se muitas vezes de um ser indefeso que precisa muito mais do que proteção apenas, necessita de amor, paciência, dedicação, alguém que saiba educá-la, tudo isso demanda tempo e sabemos que nem todo mundo tem. Hoje em dia, temos jornadas de trabalho exaustivas, sonhos que planejamos realizar, e a criança não pode simplesmente ficar em segundo plano.

Quando alguém opta por adotar uma criança, ela deve estar disposta a aceitar os acessórios que vem junto com esse menor, nesse caso não falo de roupas, sapatos ou ursinhos, mas sim, os problemas físicos e mentais que podem acompanhar essa criança.

Muitas crianças vivem em um ambiente que não é adequado sequer para um adulto, imagina viver no meio de brigas, sejam elas físicas ou verbais, não possuem uma alimentação adequada, não tem um momento em que possam realmente serem crianças. Além disso, sabemos que outras sofrem com a falta de amor, atenção, carinho. Acaba que a junção de todos esses elementos causam traumas aos menores.

De tal maneira, é comum nos depararmos com crianças briguentas, chorosas, que fazem de tudo para chamar à atenção dos seus pais. Ao invés de você perder a paciência por causa de seu filho/a acabar lhe chamando a todo instante, pare para pensar em tudo o que ela deve ter passado, os traumas, possíveis agressões, no final das contas ela somente precisa e quer se sentir segura talvez pela primeira vez em sua vida.

Mas respondendo a pergunta, não é possível devolver uma criança adotada, isso acontece pelo o que está estabelecido no art. 39§ 1º do Estatuto da Criança e do Adolescente. Isso sem mensurar que estamos falando em um ser, alguém que tem sentimentos, que está fragilizado com tudo o que passou, não se trata de um simples objeto que quando não lhe convém mais seu destino é jogá-lo fora.

A adoção é irrevogável e a “devolução” de uma criança adotada não apenas é juridicamente impossível, como também pode dar causa a uma série de sanções de natureza civil (incluindo indenização por dano moral) e administrativa (como as previstas nos arts. 129 e 249, da Lei nº 8.069/90). Em casos extremos, como se houver eventual “abandono”, pode também gerar sanções de natureza penal. A impossibilidade de “devolução” de uma criança/adolescente adotada é, inclusive, uma das razões pelas quais é tão importante submeter os pretendentes à adoção a um curso preparatório, assim como a uma avaliação técnica criteriosa, seja por ocasião do processo de habilitação, seja por ocasião da decisão quanto à adoção propriamente dita. [Fonte: Portal MPPR – Adoção: Um encontro de amor].

Então antes de pensar em adotar, pense na seguinte pergunta: “Será que estamos preparados?”. Não ache que a adoção simplesmente é “a solução dos problemas” conjugais.

Por fim, a adoção não é um ato que irá transformar somente a vida do menor, mas também dos pais, pois, quando você se der de conta da benção que é ter um filho, verá que a sua vida terá um novo sentido.

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